Um pequeno sismo no lugar errado pode ter um preço muito alto

Será que uma pequena réplica numa cidade não considerada um ponto crítico de terramotos pode despoletar uma das maiores perdas de seguros de sempre? Sem dúvida! Porque foi exatamente o que aconteceu quando um terramoto de 6,3 graus de magnitude atingiu Christchurch, na Nova Zelândia, no dia 22 de fevereiro de 2011. Os custos tremendos e inesperados em seguros, expuseram pontos cegos na atual análise sobre o risco financeiro de terramotos. Após o evento, tanto os pedidos de indemnizações como o processo de reconstrução revelaram-se um verdadeiro desafio. Dado que um terramoto com uma dimensão semelhante pode acontecer em praticamente qualquer parte do mundo, é fundamental aprender da experiência de Christchurch.

Antes de 2011, Christchurch não era um local que se associasse a um elevado risco sísmico. Ao contrário da capital, Wellington, Christchurch não fica perto das linhas de falha principais da Nova Zelândia. Está situada na Ilha Sul da Nova Zelândia, tem uma população de 380.000 pessoas (população total do país: 4,2 milhões) e consiste em 99.500 casas, 30.000 para habitação, 38.000 comerciais.

Qual a razão do impacto devastador de um terramoto com 6,3 graus de magnitude? As estimativas do custo económico total continuam a aumentar. As estimativas atuais são, neste momento, de USD 21.5 mil milhões para o evento de Fevereiro de 2011, ou de USD 31.6 mil milhões se os sismos de Setembro de 2010 (M 7) e de Junho de 2011 (M 6) também forem considerados.

No setor de seguros, o custo do terramoto de Christchurch é, atualmente, avaliado em 17,2 mil milhões de USD para o evento de fevereiro de 2011 e perto de 25 mil milhões de USD para os três eventos combinados (Swiss Re Economic  Research & Consulting). Este custo excedeu em muito as previsões iniciais, baseadas em modelos, e surpreendeu a indústria seguradora.

Nos últimos 50 anos, os únicos sinistros segurados de índole sísmico a nível global de valor superior foram o do Japão em 2011, com 9,0 graus de magnitude (M) (37,7 mil milhões de USD indexados a 2013) e do evento em Northridge (Califórnia), em 1994, com 6,7 graus de magnitude (22,9 mil milhões de USD indexados em 2013). O gráfico abaixo apresenta o aumento das perdas totais seguradas, por várias entidades, corretores e resseguradores, ao longo do tempo, para o evento de Fevereiro de 2011. Indica que a atual estimativa de perda de seguros, no valor de 17,2 mil milhões de USD, é mais de duas vezes superior ao limite mais alto da estimativa de perdas iniciais, de acordo com os modelos de diversas entidades, que variavam entre 1,5 e 8 mil milhões de USD. Parte deste aumento deve-se ao fortalecimento do dólar neozelandês (NZD) face ao dólar americano desde fevereiro de 2011.

No entanto, este fator representa apenas 14% do aumento da estimativa de perdas seguradas, baseada em dólares americanos.

Por que razão as estimativas iniciais ficaram tão longe da realidade?

Por que razão as estimativas iniciais, muito baseadas em modelos sísmicos, subestimaram a perda atual de forma tão significativa? Apesar de a Nova Zelândia ter um dos níveis mais altos de penetração de seguros de propriedade residencial e comercial, a indústria seguradora foi surpreendida em diversas áreas.

Em primeiro lugar, o elevado número de sinistros: sendo que Christchurch não era considerada um ponto crítico em termos sísmicos, os procedimentos de processamento de sinistros não estavam preparados para lidar com as mais de 400.000 reclamações de sinistros entre os vários eventos, com vários sinistros acumulados por propriedade. Por exemplo, a Comissão de Terramotos da Nova Zelândia (EQC) teve de aumentar rapidamente o pessoal de 22 membros principais e 27 assessores de reserva, antes dos terramotos, para mais de 1000 pessoas em fevereiro de 2011. Nalguns dias foram feitas 13.000 avaliações por dia por 250 assessores (o que equivale a 37 reclamações por assessor por dia).

Em resultado disso, não foi possível efetuar avaliações detalhadas, o que as tornou posteriormente contestáveis, prolongando o processo e tornando-o mais dispendioso. Chamou-se um grande número de peritos internacionais, para um limitado período de tempo, entregando-se então mais tarde os processos a terceiros. A falta de continuidade resultante complicou ainda mais o processo de regularização de sinistros.

Os custos com sinistros também aumentaram quer devido a negociações morosas quer pela existência de
defensores/advogados de sinistros que trabalharam numa base de contingência. Esta tendência também se verifica noutras regiões.

Em segundo lugar, os chamados “agentes de perda secundários” contribuíram significativamente para a
perda geral que resultou do terramoto de fevereiro de 2011 em Christchurch. Estas perdas incluíram liquefação generalizada, instabilidade do solo, atividade de réplicas contínuas e o efeito de danos generalizados no bairro comercial central.

Tais agentes são, em certa medida, pontos cegos nos atuais modelos sísmicos, apesar do seu potencial impacto nas avaliações de risco sísmico. Podem em consequência atuar como amplificadores de sinistros aumentando significativamente a indemnização final.

E, por último, no caso de sinistros residenciais, as especificidades dos clausulados da apólice de seguros e as interações de diversas apólices num mesmo sinistro impactavam ainda mais o desenvolvimento desfavorável do mesmo.

Nota: Este artigo é um resumo de um relatório mais detalhado que está disponível a pedido prévio.

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