Swiss Re apresenta as vantagens do resseguro para implantação do Solvência II

No evento Solvency Day realizado no Brasil, Swiss Re expôs sua experiência em modelos internos e o resseguro como alternativa para liquidez das empresas que necessitam de aporte de capital para atender às regras de solvência.

Com enfoque no Solvência II, a Swiss Re promoveu a edição brasileira do Solvency Day, dia 2 de outubro, em São Paulo, apresentando um panorama geral sobre a fase atual de implementação na Europa e América Latina, com destaque para o Brasil.

Stephane Godier, Diretor da área de Client Management de P&C da Swiss Repara o Brasil e Cone Sul, abriu o evento comentando sobre o desafio da necessidade de capital para as empresas implementarem o Solvência II. “Em vez de comprometer suas reservas, a companhia pode utilizar o resseguro para liberar o capital que está bloqueado dentro do balanço”, disse.

Frederico Knapp, Diretor Financeiro da Swiss Re no Brasil , se preocupa, no momento, com a sinistralidade em alta, prevendo maior dificuldade para as empresas obterem aporte de capital de suas matrizes. Para ele, o resseguro, além de melhor alternativa, também pode reduzir a necessidade de recursos.

Entre os países da América Latina, México e Brasil são os mais adiantados na implantação do Solvência II, seguidos pelo Chile e Colômbia. No panorama apresentado por Rubem Hofliger, Senior Regulatory Risk Officer da Swiss Re para a América Latina, o México está à frente até mesmo dos países europeus. O diferencial do país foi ter aprovado em 2013 a Lei de Seguros e Fianças, abrangendo seguro e resseguro, além das regras para a completa implantação do Solvência II, que fixaram o prazo de abril de 2015 para início de vigência.

Já no Chile, a preocupação é com a aprovação da lei de seguros, que foi apresentada ao Congresso em 2010 e agora está em análise no Senado Federal. Segundo Hofliger, com a troca de governo, a expectativa é que a lei seja aprovada em 2015. Na Colômbia, a novidade na implantação do Solvência II foi o decreto do governo que modificou o cálculo das reservas técnicas, criando dois novos tipos: a reserva de insuficiência de ativos e a reserva de insuficiência de prêmios, esta última considerada a mais importante.

O Brasil já avançou na implementação, concluindo a parte do risco de subscrição e preparando-se para terminar a parte de risco de mercado. O país deu um passo importante ao firmar convênio em abril deste ano com a EIOPA (The European Insurance and Occupational Pensions Authority) para reconhecimento da equivalência do regime brasileiro ao europeu.

Em matéria de implementação do Solvência II, a Suiça está um passo a frente. O país se adiantou nessa questão ao criar em 2003 o Swiss Solvency Test (SST), testado pela Swiss Re desde 2008, a partir do desenvolvimento de modelos próprios econômicos e de capital. Segundo Martin Weymann, Senior Regulatory Officer, há uma convergência entre o SST e o Solvência II, pois a abordagem de ambos é baseada em três pilares. “O SST deu à Swiss Re a experiência prática na aplicação de requisitos quantitativos e qualitativos semelhante ao Solvência II”, disse.

Papel do atuário

Eduardo Lara, Diretor de Seguro Saúde da Swiss Re para a América Latina, acredita que o Solvência II aumentou a exigência de qualificação dos atuários. “Por isso, muitos estão voltando a estudar”, disse. Nesse sentido, ele apontou o México, Brasil e Argentina como alguns dos poucos países que promovem cursos em nível superior de atuária.

Para ele, o Solvência II representa uma mudança histórica na profissão de atuário, que se até então era mais dedicado ao passivo, por meio de cálculos determinísticos, agora cuidará mais dos cálculos de ativos, com uma taxa de juros mais alta, por meio de processos estocásticos. “A diferença é grande, mas temos ferramentas para isso”, afirmou.

Estudo de casos

Janine Seifert, Senior Business Development Manager da Swiss Re, explicou como o resseguro pode ajudar as seguradoras a enfrentarem o impacto das mudanças regulatórias, sobretudo diante da necessidade de aporte de capital. Ela relatou o caso de uma empresa que precisou aumentar a sua margem de solvencia. Entre aumentar seus fundos próprios ou reduzir o seu requerimento de capital, Janine apresentou o resseguro como a alternativa mais viável, por liberar o capital e proteger contra impactos negativos. “O resseguro é uma alternativa ao capital adicional, que oferece maior proteção e liquidez”, afirmou.

Já Andre Azevedo, Diretor de Negócios de Vida e Saúde para o Brasil e Cone Sul, apresentou o resseguro de vida como uma proposta de valor para a redução de requerimentos de capital, sobretudo para o risco de longevidade e de mortalidade em diferentes áreas geográficas. Outra possibilidade de uso do resseguro seria como quota-parte do seguro de vida, na transferência de riscos de mortalidade, invalidez e doenças graves. No exemplo que apresentou, o ressegurador assumiria metade dos riscos da carteira segurada.

Debates

No Painel de Discussão que encerrou o evento, Alexandre Leal, da CNseg relatou que a criação de banco de dados, que, atualmente, vem sendo discutida por um grupo de trabalho, demandará grande esforço do mercado. Elias Zoghbi contou que a Delloite está levantando os custos do mercado referentes a 2013 para entregar à Susep. “Mas precisamos de três anos de bases de perdas para formar os riscos operacionais”, acrescentou.

Felipe Linhares, da KPMG, ressaltou que o pilar 2 tem aspectos desafiadores para o mercado, observando, em seguida, que a norma de riscos operacionais ainda requer muita discussão do setor. Rui Portella, da JMalucelli, ressaltou que algumas companhias têm seus modelos próprios de gestão de risco. “Mas, para as empresas menores precisamos de modelos mais simples”, disse.


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