Estudo sigma da Swiss Re revela que perdas seguradas decorrentes de desastres ficaram abaixo da média em 2014, apesar do número recorde de catástrofes naturais

Zurique, 25 de março de 2015

  • O total de perdas econômicas global por catástrofes naturais e desastres provocados pelo homem ficou em torno de US$ 110 bilhões em 2014.
  • Isso se compara ao número de perdas globais seguradas de cerca de US$ 35 bilhões em 2014, que ficou abaixo da média de US$ 64 bilhões dos últimos dez anos.
  • Houve 189 catástrofes naturais em todo o mundo no ano passado, o maior número nos registros do sigma.
  • Os desastres foram responsáveis pela perda de mais de 12.700 vidas em 2014, um dos números mais baixos já registrados em um único ano.
  • As perdas decorrentes de tempestades severas são uma tendência ascendente – detalhes no capítulo especial sobre o tema neste sigma.

De acordo com o último estudo sigma, o total de perdas globais seguradas decorrentes de catástrofes naturais e desastres provocados pelo homem foi de US$ 35 bilhões em 2014, inferior aos US$ 44 bilhões de 2013, e bem abaixo da média de US$ 64 bilhões dos últimos 10 anos. Houve 189 casos de catástrofes naturais em 2014, o maior número já visto nos registros do sigma, causando perdas econômicas globais de US$ 110 bilhões. Cerca de 12.700 pessoas perderam suas vidas nestes desastres, número inferior aos 27.000 de 2013 e um dos mais baixos já registrados em um único ano.

O total de perdas econômicas decorrentes dos desastres de 2014 foi de US$ 110 bilhões, inferior aos US$ 138 bilhões de 2013 e bem abaixo da média anual dos últimos 10 anos, que foi de US$ 200 bilhões. Deste total, US$ 101 bilhões foram gastos em decorrência de catástrofes naturais, com os ciclones na região Ásia Pacífico causando o maior dano. Dos US$ 35 bilhões em perdas globais seguradas no último ano, US$ 28 bilhões foram atribuídos a catástrofes naturais.

Os eventos climáticos nos EUA, Europa e Japão são os que causaram mais perdas seguradas.

“A frequência de eventos catastróficos parece estar aumentando, com o número recorde de catástrofes naturais ocorridas no ano passado”, diz Kurt Karl, economista-chefe da Swiss Re. Por exemplo, uma série de tempestades severas provocou perdas consideráveis no ano passado nos EUA e na Europa. Em maio, uma onda de tempestades severas com granizo nos Estados Unidos resultou no maior caso de perda segurada do ano, com reclamações de sinistros de US$ 2,9 bilhões.

Na Europa, no mês seguinte, o sistema de baixa pressão, ELA, trouxe amplo e devastador granizo para partes da França e Bélgica, além de ventos fortes para a Alemanha. As perdas seguradas combinadas somaram US$ 2,2 bilhões, tornando o ELA a segunda ocorrência de granizo mais cara da Europa nos registros do sigma.

Os invernos rigorosos nos EUA e no Japão foram outra das principais causas de reivindicações de seguro em 2014. Os EUA passaram por várias tempestades com neve e longos períodos de temperaturas congelantes. As perdas seguradas de todas as tempestades no inverno dos EUA somaram gastos de US$ 2,4 bilhões, mais que o dobro da média dos últimos 10 anos. A maior perda foi em uma tempestade em janeiro, que impactou 17 estados, com neve caindo até mesmo no sul da Flórida, levando a perdas seguradas de US$ 1,7 bilhões. Enquanto isso, em meados de fevereiro, no Japão, uma onda de frio severo trouxe a nevasca mais pesada em décadas, matando 26 pessoas e ferindo muitas outras, principalmente em acidentes rodoviários. O total de perdas seguradas foi estimado em US$ 2,5 bilhões.

A temporada de furacões, no entanto, foi moderada no Atlântico Norte em 2014, sem maiores ocorrências nos EUA pelo nono ano consecutivo. Esta foi a principal razão pela qual as perdas seguradas ficaram abaixo da média no ano passado. Por outro lado, houve 20 tempestades no Oceano Pacífico oriental, o maior número desde 1992. Dentre estes, em setembro, o Furacão Odile, na Baixa Califórnia, México, causou o maior caso de perdas. A região é um destino turístico, com muitos hotéis e propriedades comerciais e, consequentemente, a penetração de seguros é relativamente alta. As perdas seguradas foram de US$ 1,7 bilhões, tornando o Odile o segundo maior caso de perdas seguradas já ocorrido no México, depois do furacão Wilma, em 2005, que causou perdas de US$ 2,1 bilhões.

Permanência de lacunas na proteção

A falta de cobertura de seguros, no entanto, permanece um problema em muitos países. Por exemplo, em maio, o sistema de baixa pressão, Yvette, trouxe chuvas pesadas para a Sérvia, Bósnia e Croácia; em algumas áreas, as chuvas mais pesadas em 120 anos. Várias barragens falharam e as inundações e os fluxos de detritos que se seguiram destruíram casas, infraestrutura e colheitas. Foram 82 mortes, a maior perda de vidas em catástrofes naturais na Europa em 2014; as perdas totais foram estimadas em US$ 3 bilhões, a maioria sem seguro. A Itália também passou por um ano com muitas chuvas e enchentes que causaram perdas econômicas globais de mais de US$ 1 bilhão, a maioria delas também sem seguro.

Mas também existem áreas nos EUA que não possuem seguro. Em agosto do ano passado, o terremoto ao sul da cidade de Napa, na Califórnia, causou danos estruturais e de bens totalizando US$ 0,7 bilhões, principalmente nas numerosas instalações de armazenagem de barris da indústria de vinho local. No entanto, a perda segurada foi de apenas US$ 0,16 bilhões. “Apesar da alta exposição ao risco sísmico, a contratação de seguros no município de São Francisco e no estado da Califórnia ainda é muito baixa, mesmo pelas propriedades comerciais. É por isso que a quantidade de perdas seguradas, em certas áreas, pode ser surpreendentemente baixa quando desastres acontecem”, diz Lucia Bevere, coautora do estudo.

Tempestades severas geram perdas crescentes

Este sigma inclui um capítulo especial sobre tempestades severas, que também são chamadas de tempestades convectivas severas.  O total de custos e perdas seguradas decorrentes de tempestades convectivas severas tiveram uma tendência ascendente nos últimos 25 anos. Isto se deu principalmente devido ao número crescente de perdas nos EUA, onde a frequência de tempestades (particularmente tornados) e a penetração de seguro são mais elevadas, e na Europa, onde as tempestades de granizo e enchentes acontecem frequentemente.

As perdas globais seguradas decorrentes de tempestades convectivas severas aumentaram em uma taxa média anual de 9% no período entre 1990 e 2014.  As perdas seguradas decorrentes de todo tipo de condição climática no mesmo período aumentaram 6,6% na mesma base de comparação. Só nos EUA, a média de perdas seguradas por tempestades convectivas severas foi de US$ 8 bilhões por ano, entre 1990 e 2014. E a partir de 2008, essas perdas superaram US$ 10 bilhões anuais, incluindo 2014, quando as perdas seguradas foram de US$ 13 bilhões, o quarto número mais alto nos registros do sigma.

Figura 1: Número de desastres, 1970-2014

Tabela 1: Total de perdas econômicas e seguradas em 2014 e 2013

Tabela 2: Os mais altos custos de perdas seguradas decorrentes de catástrofes em 2014 (bilhões de dólares)

Tabela 3:  Limites sigma de perdas seguradas e casualidades em 2014

Nota para os editores

Swiss Re

O Grupo Swiss Re é um dos principais fornecedores atacadistas de resseguro, seguro e outras formas de transferência de risco baseadas em seguro. Negociando diretamente ou trabalhando por intermédio de corretores, sua carteira global de clientes é composta por companhias de seguros, empresas de médio a grande porte e clientes do setor público. De produtos padronizados a coberturas específicas em todas as linhas de negócios, a Swiss Re coloca à disposição sua solidez financeira, sua experiência e sua capacidade de inovação para permitir que riscos sejam assumidos, condição imprescindível ao progresso empresarial e social. Fundada em 1863 em Zurique, na Suíça, a Swiss Re atende a clientes por meio de uma rede de aproximadamente 70 escritórios localizados ao redor do mundo, e possui a classificação "AA-" pela Standard & Poor's, "Aa3" pela Moody's e "A+" pela A.M. Best. As ações da empresa holding do Grupo Swiss Re, Swiss Re Ltd, são cotadas de acordo com a Norma Principal (Main Standard) na bolsa de valores da Suíça, SIX Swiss Exchange, e negociadas com o código SREN. Para obter mais informações sobre o Grupo Swiss Re, acesse www.swissre.com ou siga-nos no Twitter @SwissRe

Como pedir este estudo sigma:

As versões em inglês, alemão, francês e espanhol do sigma nº 2/2015, Natural catastrophes and man-made disasters in 2014: convective and winter storms generate most losses (Catástrofes naturais e desastres provocados pelo homem em 2014: tempestades convectivas e de inverno geram a maioria das perdas), estão disponíveis eletronicamente no site da Swiss Re:
www.swissre.com/sigma

Estão disponíveis agora as edições impressas do sigma nº 2/2015, em inglês, francês, alemão e espanhol. As versões impressas em chinês e japonês estarão disponíveis em breve. Envie seus pedidos, com o seu endereço completo, para sigma@swissre.com.


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