Sustentabilidade no agronegócio: redução de riscos é o principal objetivo

No Brasil, as regiões Sul e Nordeste apresentam maior percepção de risco por causa das variações climáticas

O termo “desenvolvimento sustentável” não trata apenas de uma ideologia sobre proteção do meio ambiente. Hoje, a expressão já é vista pelos setores público e privado como um negócio, que tem como principal objetivo reduzir riscos, sejam eles financeiros ou ambientais. O setor agrícola está exposto a riscos provocados por mudanças climáticas, que são eventos imprevisíveis que podem causar grandes danos ao produtor, às empresas e até para a economia nacional. Mas como é possível contribuir para a sustentabilidade do agronegócio?

No que se refere à sustentabilidade financeira, existem diversos tipos de seguros que podem proteger o fluxo de caixa do produtor, propriedades e equipamentos rurais, a vida dos animais, além da queda de produtividade de uma safra. No Brasil, a cultura de seguros ainda está em desenvolvimento, mas o mercado já tem se atentado à necessidade desse tipo de instrumento, uma vez que o agronegócio é um dos motores da nossa economia.

O Rio Grande do Sul e a região Nordeste são historicamente as áreas que apresentam maior volatilidade climática. A cada safra o clima pode se comportar de forma bastante adversa. Este ano, por exemplo, devido à previsão de El Niño, esperava-se chuvas regulares, ou até mesmo acima da média, no Rio Grande do Sul. Ao contrário, no Nordeste, esperava-se índices baixos de precipitação, sendo que, os Estados do  Maranhão, Bahia e Piauí apresentavam risco de seca acima da média para a região.

Essas informações foram trazidas por Gabriel Bruno de Lemos, Head de Subscrição de Seguros Rurais da Swiss Re Corporate Solutions, ao evento “Novas tecnologias e tendências do agronegócio sustentável no Brasil” realizado pelo Instituto Araripe, na última semana. Nessa oportunidade, o executivo explicou como o mercado de seguros pode contribuir para um mundo mais resiliente, inclusive no campo, a importância da colaboração do poder público e os benefícios da tecnologia para esse ramo.

Gabriel também ressaltou que a subvenção é importante no Brasil, porque torna o seguro agrícola mais acessível e reforçou que a tecnologia, por sua vez, aparece como uma das estratégias para agilizar os processos e melhorar a subscrição dos riscos. "Atualmente estamos usando a tecnologia para aperfeiçoar a forma como analisamos e quantificamos os riscos. Muitos produtores afirmam, por exemplo, que os dados de produtividade do IBGE não representam a realidade de sua lavoura por terem um nível tecnológico mais alto. Com isso, nosso objetivo é utilizar a tecnologia para poder identificar esses produtores mais tecnificados e oferecer seguros mais adequados ao seu processo produtivo."

Também participaram do mesmo painel os executivos: Claudio Maes, Superintendente de Desenvolvimento de Mercado e membro do Laboratório ABDE/BID/CVM de Inovações Financeiras; Maria Eugênia Buosi, sócia da RESULTANTE e professora do INFI, B3 e Saint Paul, e Oswaldo Junqueira Franco, Senior partner da Agronomics.



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